sexta-feira, 26 de junho de 2009

Espiritualidade Matrifocal

Uma breve explanação acerca de seus primórdios, seu retorno e sua importância no mundo atual.

Seja dentro do currículo histórico escolar ou mesmo entre os meios acadêmicos mais tradicionais, pouco se fala a respeito da espiritualidade dos primeiros seres humanos, exceto pequenas frases sobre o fato de serem pouco racionais e de que muito temiam as manifestações da Natureza, pouco interagindo sentimental e devocionalmente com Ela.

Image Um dos motivos plausíveis para isso, é o fato de que nosso país exita bastante em investir na educação, e conseqüentemente, as fontes de estudo constituem material arcaico e ultrapassado, fundamentadas nos estudos clássicos cercados por um ortodoxismo, ceticismo puro e um sempre não-saudável senso patriarcal. Outro motivo, mais claro e evidente e que também serve como base para a situação supracitada, é a própria repressão do Sagrado Feminino sob uma sociedade pautada num patriarcado dominante, o que se estendeu e ainda se estende por toda parte do mundo, seja em regiões pobres, ricas, com muita ou pouca escolaridade de seus habitantes. O fenômeno patriarcal do domínio de um deus-pai único, divindades patricentradas e de toda a sociedade sempre girando e movendo-se em torno da figura do masculino, além de trazer prejuízos para o planeta, as mulheres e toda a humanidade, relegou um importante período de nossa evolução primitiva ao esquecimento, suplantando toda a necessidade devocional à Mãe Divina e na melhor das hipóteses, fazendo-nos lembrar disso como um simples e longínquo passado mítico e surreal.

Felizmente, muitos historiadores, antropólogos, sociólogos e outros pesquisadores, atentos para as mudanças que nossa sociedade vem sofrendo desde o final do século XIX, mesmo sem o apoio concedido pelas universidades e profissionais mais aclamados tradicionalmente, foram além do instituído e através de vestígios físicos e culturais descobriram um senso cultural comum que antecedeu qualquer tipo de instituição patriarcal; falamos é claro, da cultura e espiritualidade matrifocal, que ao contrário da cultura machista posterior que forneceu as bases para a nossa sociedade contemporânea, floresceu por milhares de anos em praticamente todas as partes do mundo, muito antes do domínio absoluto do macho humano, deixando vestígios incríveis de sua avançada capacidade artística, religiosa e de organização social, além de um legado que atualmente se traz à tona e divulga-se no mundo, não somente como uma alternativa religiosa, mas principalmente sócio-cultural.

O termo "matrifocal" é comumente utilizado para descrever uma cultura e espiritualidade centrada na figura materna e mais atualmente, feminina como um todo. É interessante e importante perceber que o termo "matriarcal", como um contraposto ao termo "patriarcal" é quase ou nunca utilizado, isso porque esse termo denota um significado de domínio absolutista desconhecido para esse tipo de sociedade. Uma cultura e espiritualidade matrifocal, não se baseia na supremacia das mulheres ao lado da inferioridade dos homens, assim como muitos pesquisadores quiseram fazer parecer quando ostentavam a existência de um matriarcado primitivo. A cultura e espiritualidade matrifocal, pelo contrário, baseia-na na igualdade de todos os seres, unidos pela irmandade diante de um mesmo cerne: a Grande Mãe, o Divino Feminino, precursor de todo e qualquer senso de divino adotado pelo ser humano, para descrever concretamente o grande mistério doador e mantenedor de toda a vida e existência.

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Uma das mais famosas estatuetas primitivas encontradas da Grande Mãe, conhecida como “Vênus de Willedorf”. Encontrada em Willendorf, na Áustria e por isso recebeu o nome, aliado ao nome da mais conhecida divindade romana – “Vênus”, a escultura retrata uma deusa com seios e quadris fartos, além de uma cabeça em formato de colméia, demonstrando mais um antigo atributo da Grande Mãe, como Senhora das Abelhas. O achado data de 20.00 a.E.C e logo abaixo a “Vênus de Laussel”, datando da mesma época e denotando os mesmos atributos, desta vez incluindo sua associação com a Lua ao segurar um chifre de bisão em forma de crescente.

Das Américas a Eurásia, da África à Oceania, mitos primitivos ancestrais preservados por povos nativos, e algumas vezes até mesmo no folclore popular comum, guardam consigo a noção de um passado muito distante, quando e onde as coisas nasciam e morriam no ventre de uma Grande Mãe. Na esmagadora maioria das vezes, esses mitos já contaminados pela influência patriarcal, referem-se a esses tempos antigos como uma época de caos e desordem, cujo em algum momento da história, uma divindade patriarcal (geralmente filho ou descendente da Mãe Primordial), surge tomando o domínio para si e instaurando um tempo de ordem, um conjunto de regras e condições sociais diferenciadas. Para qualquer pesquisador sério e coerente, fica claro perceber que onde quer que seja, mito e história se interpenetram de uma maneira surpreendente, principalmente quando só se podem confirmar evidências através de achados arqueológicos. O estudo dos mitos é algo de extrema importância para chegarmos a um consenso histórico quando o assunto é espiritualidade primitiva, já que essa na maioria dos casos antecede o período da escrita e dos registros oficiais.

Alguns pesquisadores, falam de resquícios a um culto ao Divino Feminino que nos leva a um tempo que data há mais de 500 mil anos. Outros, não menos otimistas, mas baseadas em estudos concretos, evidências artísticas e arqueológicas nos levam a datas não posteriores a 30.000 a.E.C.(1), o que obviamente nos remete a um período muitíssimo anterior ao início das religiões patrifocais instituídas, e até mesmo ao culto a qualquer outra divindade masculina. O culto ao Divino Masculino data inicialmente de mais ou menos 7 ou 8 mil anos antes da Era Comum e originalmente não se tratava de um culto a um deus-pai único e sim ao princípio masculino saudável, que era reverenciado juntamente com o Divino Feminino, sob a forma de Seu Filho e Consorte, o Deus-Caçador que em prol da tribo, cuidava da caça e de parte do sustento da comunidade. Com o advento das sociedades agrícolas, logo surgiram os povos sedentários que ao construírem as primeiras cidades, necessitaram também da construção e manutenção de exércitos para a defesa de seus territórios e assim surgiram novas funções e atributos que logo foram personificados através das divindades guerreiras. Através do afastamento gradativo das mulheres dos postos de batalha, elas que passaram a ficar responsáveis unicamente pelos lares e manutenção destes, o poderio masculino dominador foi crescendo e tomando suas formas, concretizando assim as sociedades patriarcais e suas instituições, e ainda servindo como uma maneira fácil de conter o poder feminino que de uma forma ou de outra, sempre foi temido por aqueles que não o compreendiam. O Feminino foi subjugado a um segundo plano, e assim também o foi com a religiosidade matrifocal. Os atributos mágicos da menstruação e geração de vida passaram a ser considerados imundos e nefastos, como uma clara e bem-sucedida tentava de oprimir o suave poder que ainda exalava das antigas sociedades matrifocais e ameaçava as então atuais instituições patriarcais pautadas na guerra, no domínio e na violência. Surgiu o culto a um deus-pai “divorciado”, sisudo e incisivo, assim como os mitos que inferiorizam a mulher e os atributos femininos. Toda e qualquer coisa que se opusesse a esses paradigmas foi transformado em demônio. “(...) Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e SUJEITAI-A; DOMINAI (...)” (2) - foi somente uma das ordens.

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Certamente, a transição do mundo matrifocal para o patriarcal não se deu exatamente no mesmo momento em todas as partes do mundo. Sociedades matrifocais coexistiram por muito tempo com as sociedades patriarcais até períodos bastante recentes e que datam de poucas centenas de anos a.E.C. Alguns povos viveram nas brumas por muito tempo e segundo evidências sobreviveram até mesmo após o período cristão, como é o caso de algumas tribos picto-gaélicas da Grã-Bretanha, que aos poucos foram sendo absorvidos etnicamente pelas invasões romanas, saxãs, normandas e norueguesas. Também se sabe de cultos matrifocais que floresceram no Mediterrâneo e na Europa Ocidental já por volta de 3.500 a.E.C. Outros, segundo consta, ainda existem até hoje, em pequeníssima escala em ilhas polinésias afastadas de todo o resto do mundo. Um bom exemplo de sociedade matrifocal que coexistiu historicamente com demais sociedades patriarcais foram os povos celtas(3), que apesar de contarem com algumas poucas características patriarcais adquiridas através do contato com outros povos, preservaram em algumas tribos um forte senso de respeito ao Feminino, à Mãe Ancestral e preservaram nas mulheres atributos de independência e soberania incomuns a quaisquer outros povos conhecidos naquela época e região. Escritores especializados, até mesmo afirmam que existe a evidência de que algumas tribos celtas praticavam trabalhos semelhantes ao do atual reflorestamento, quando não mais reutilizavam uma área para plantio, algo extremamente “civilizado” para descrever uma sociedade tida como bárbara pelos escritores clássicos – uma sociedade, cuja maioria de suas tribos eram matrifocais, o que por si só denota o respeito e preocupação desse tipo de sociedade com o mundo natural, que nada mais é que uma extensão do próprio Divino, ou seja, o próprio Corpo da Grande Mãe.

Através dos mitos e lendas de várias culturas que chegaram até nós, encontramos uma vasta gama de deusas, na maioria das vezes personificando funções, atributos e qualidades divinas. Tudo indica que essas foram personificações divinamente individualizadas, e que ao decorrer dos milênios tomaram suas formas mas como sendo na verdade manifestações de um único Ser: A Grande Mãe ou simplesmente “a Deusa”, como é chamada ainda hoje por seus seguidores contemporâneos. Inspirado não somente pelos belos mitos, pela revitalização de antigos cultos pagãos(4), mas principalmente pela memória ancestral e pela necessidade do retorno do contato direto e consciente com o Ser Divino Primordial, o ser humano do século XX passou a buscar novas maneiras de se conectar àquilo que na verdade nunca esteve ausente, mas sim somente suprimido visualmente pela ilusão das culturas e religiões machistas e patricentradas.

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Todo o retorno do culto ao Divino Feminino foi indubitavelmente favorecido pelo movimento feminista, e como já foi citado, pelo reavivamento e disseminação de antigas e novas tradições, filosofias e religiões pagãs, destacando-se entre elas a Bruxaria, o Xamanismo e a Wicca (5). Outros aspectos muito importantes foram o desenvolvimento das pesquisas científicas, as novas descobertas e reavaliações antropológicas e arqueológicas, assim como o surgimento da hipótese Gaia(6), que vê a Terra não somente como uma grande massa de compostos químicos e orgânicos, mas como um “ser” vivo. A biologia e a genética, além de contribuírem para novos meios de pesquisa para a cura de doenças, também perplexamente contribuíram para confirmar algo que nossos ancestrais sabiam há milênios antes de nós e que manifestaram na forma de culto e reverência: que a base cromossomática da vida é feminina, e que o masculino na verdade é nada mais que uma diferenciação dessa mesma base – a espiritualidade ultrapassa as barreiras do mundo sutil e invade até mesmo as teorias científicas acerca da matéria e da vida material, o que corrobora definitivamente com a noção de que o mundo material também é espiritual.

A noção de que o espírito é algo superior à matéria, é sem sombra de dúvidas um conceito oriundo da cultura patriarcal. Na ânsia de fugir de seu próprio berço – feminino – e demonizar todos os atributos que lhe deram a vida, o homem criou o conceito do dualismo opositório (Bem e Mal, Deus e Diabo, Luz e Sombras) que definitivamente serviu como a base mais sólida e justificativa para a exploração e destruição do meio-ambiente. A mentalidade centrada na figura de um deus-pai, que ao criar o Universo distancia-se do mesmo, dando plenos poderes ao homem para domina-lo e subjugá-lo é a maior responsável pelos danos que foram e ainda são feitos contra toda a Natureza e o próprio ser humano. Exatamente ao contrário disso, a noção matrifocal de espírito e matéria prega algo totalmente diferente: a matéria é a manifestação do espírito; esses não são opostos, são sim simplesmente realidades diferentes oriundas de uma mesma fonte - o Ventre da Deusa - e tudo aquilo que existe faz parte do corpo Dela – incluindo o próprio ser humano; logo a noção de respeito, fraternidade e integração a tudo e a todos, entre os seguidores da Deusa não é somente estimulada como naturalmente torna-se uma obrigatoriedade. Sendo assim, não somente o espírito, mas também a matéria é divina (coincidência ou não, “mater”, a raiz latino-lingüística da palavra “matéria”, é o correspondente exato para o termo “mãe”).

A necessidade dos rituais caseiros, o retorno a Astrologia e aos oráculos, o surgimento da psicanálise, dos tratamentos naturais alternativos e os já citados estudos mitológicos, também foram fundamentais para o retorno da espiritualidade centrada no Feminino. Pessoas como os mitólogos Joseph Campbell e Robert Graves, a arqueóloga Marija Gimbutas, a bruxa feminista Zsuzsana Budapest e a sacerdotisa wiccaniana(7) Starhawk foram figuras importantíssimas na marcha de retorno da espiritualidade da Deusa no mundo contemporâneo. Inúmeros livros, textos e obras foram compostas nos últimos anos, inspirados nesse assunto e tem servido como base para a reconstrução de uma cultura e religiosidade centrada no aspecto Feminino, já que pouco ou nada existe em termo de templos e religiões institucionalizadas, mesmo exatamente pelo senso de comunidade simples e celular.

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Muitos seguidores contemporâneos da Deusa buscam se engajar em causas comunitárias de bem estar social e animal, preservação do meio ambiente e livre expressão sexual, como uma alternativa para se sentirem ativos no retorno e reinstituição de uma sociedade saudável e um mundo ideal para deixar àqueles que virão depois de nós. Outros levam suas vidas de maneira mais íntima e particular, vivenciando a maravilha de uma espiritualidade que não impõe dogmas, exceto o respeito a tudo aquilo que existe. As mulheres revivem a harmonia de suas ancestrais primitivas e redescobrem seus poderes natos, além de ressacralizarem seus corpos e seus espíritos. Os homens redescobrem uma masculinidade sem máscaras e nem obrigações impostas por um machismo decadente, encontrando na Deusa também a fonte do princípio masculino, o que muitos chamam de “o Deus”(8). A regra geral não é e nunca foi “proselitisar”(9), e sim fomentar a estruturação de um mundo novo, próprio para que todos os seres possam levar vidas dignas e felizes, e que de alguma maneira, se sintam abraçados mais uma vez pela sua própria fonte: a Grande Mãe.

Notas:

(1) Optei por utilizar aqui as siglas a.E.C., significando “antes da Era Comum”, que equivale ao período tradicionalmente intitulado como “antes de Cristo”. Essa atitude, já é de uso entre alguns escritores e em nenhum momento tenta impor uma postura anticristã, mas sim e unicamente uma maneira neutra, cultural e religiosamente falando, de se referir a um período histórico comum a toda a humanidade.

(2) Trecho de Gênesis 1:28 – versão em português traduzida por João Ferreira de Almeida. Mais uma vez aqui não é objetivo fazer ranço contra qualquer outra cultura, nesse caso a judaico-cristã. Utilizei-me desse trecho simplesmente para ilustrar e demonstrar claramente a posição da religião e instituição patriarcal diante do mundo e da Natureza.

(3) Denomina-se “celta” todo o povo de origem indo-européia que compartilhou de uma mesma cultura nascida ao redor do Rio Danúbio entre 1.200 e 700 a.E.C, e que a partir de então se espalhou pela Europa e Oriente próximo. Os celtas jamais formaram algum tipo de império, pois se organizavam na forma de tribos e não compartilhavam de uma identidade genética exata, exceto traços culturais e religiosos muito fortes e identificáveis. O território ocupado pelos celtas se estendeu desde a região dos Gálatas (Oriente Médio), passando pela Europa Central, Mediterrâneo, Península Ibérica, Gália (atual França) e Ilhas Britânicas. Sendo povos guerreiros, mas desunidos entre si, perderam grande parte do domínio conquistado para os exércitos romanos e outros povos “bárbaros”. Atualmente as principais regiões herdeiras da cultura celta são o norte da Espanha e Portugal, sul da França e principalmente as Ilhas Britânicas, mais notadamente Escócia, Ilha de Man e Irlanda.

(4) A palavra “pagão” vem do latim paganus que significa “camponês”. No início da expansão do Cristianismo pela Europa, muitos camponeses exitaram diante de uma conversão definitiva, o que para a elite cristianizada das cidades, camponês (paganus - pagão) passou a ser sinônimo de não-cristão, ou seja, “não-batizado”. Em meados do século XX, diante do ressurgimento de antigos cultos “pagãos”, surgiu também um resgate ao significado primordial dessa palavra e uma tentativa de despi-la de seu significado negativo atribuído pelo Cristianismo. Atualmente designa-se uma “religião pagã”, toda aquela religião que tem uma espiritualidade voltada para o mundo natural e os ciclos da Natureza.

(5) A Bruxaria nada mais é que o ofício da(o) bruxa(o), e a(o) bruxa(o) nada mais é que a mulher ou homem sábio(a) que tem o conhecimento acerca das ervas, da cura, dos astros e interage simples ou ritualística com os ciclos da Natureza. A Wicca é uma religião contemporânea pagã e sacerdotal, também conhecida como Bruxaria Moderna surgida na década de 50 na Inglaterra e segundo dados com mais de 15 milhões de adeptos pelo mundo, destacando Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Brasil. Dá-se o nome de Xamanismo as práticas nativas de um determinado povo ou cultura.

(6) Gaia era a deusa greco-romana que personificava o próprio planeta Terra, e foi exatamente por isso que a Hipótese Gaia ganhou esse nome.

(7) Wiccaniano(a) é uma alternativa aportuguesada do termo original inglês “wiccan” para se nomear um(a) adepto(a) da Wicca.

(8) O Deus aqui citado não é uma única divindade específica de algum vasto panteão cultural, muito menos o deus judaico-cristão em sua totalidade. O Deus é considerado o Filho e Consorte da Deusa, além de ser uma extensão Dela mesma. Todos os deuses são manifestações culturalmente deificadas do Deus, assim como todas as deusas são consideradas manifestações culturalmente deificadas da Deusa.

(9) Os gramáticos ortodoxos que me perdoem pelo neologismo (“proselitisar”) que talvez tenha acabado de criar. Proselitismo é o ato de tentar converter alguém à força, ou somente insistindo muito para isso, para a sua própria fé. É considerado uma espécie de tabu entre os seguidores da Deusa, cometer o ato do proselitismo, pois considera-se desrespeito para com a fé alheia, além de importunação desnecessária.

O Mandamento da Deusa

Compilado e inspirado por Doreen Valiente,
bruxa e sacerdotisa wiccaniana


Eu, que sou a beleza do verde sobre a Terra,
da Lua branca entre as estrelas,
do mistério das águas e do desejo no coração dos homens,
falo à tua alma: desperta e vem a mim, pois, sou Eu a alma da própria Natureza,
que dá a vida ao Universo.

De mim nasceram todas as coisas e a mim, tudo retorna.

Ante meu rosto, venerado pelos deuses e pelos homens,
deixa tua essência se fundir em êxtase ao infinito.

Para me servires, abre teu coração à alegria, pois, vê:
todo ato de amor e prazer é um ritual para mim.

Cultive em tua alma a beleza e a força,
o poder e a compreensão,
a honra e a humildade,
a alegria e o respeito.

E a ti, que buscas me conhecer, eu digo:
tua busca e teu anseio de nada servirão
sem o conhecimento do mistério de que aquilo que procuras
não encontrares dentro de ti mesmo,
jamais o encontrarás fora de ti.
Pois vê, sempre estive contigo - desde o começo,
e sou aquilo o que se alcança além do desejo.